Me esperava na chegada
Alguém que eu não esperava
Estava lá em pé, parada
E eu nem sabia do que se tratava
Nos reconheceu e nos acolheu,
A primeiro instante estranha
Tão logo entardeceu
Percebi que era apenas manha
Senti um certo estranhamento
Procurava me situar, alegrar
Talvez um reconhecimento
Para que eu pudesse me soltar
Que veio somente numa manhã
Numa solitária caminhada
Escutava uma música que sou fã
E tirava foto da garotada
Inevitável foi então perceber
Em mim algumas mudanças
Uma tranqüilidade vim a ter
Entre conversas, festas e danças
Surgiu então uma necessidade
E um convite aparecia
Que não esperava naquela tarde
Nem em qualquer outro dia
Nada estranho ou anormal
Um afeto, amizade
Um breve passeio e um “tchau”
Abriu a cumplicidade
Mas num tempo tão curto
Veio outra aproximação
Um pensamento ou um surto
E cedi breve à emoção
Certo ou errado
Resolvi arriscar
Mas o tempo então limitado
Não me deixou ganhar
Agora ficou o desejo
No momento não realizado
Nessa distância não posso, não a vejo
Restou o beijo a espera de ser contemplado
Que aparece já ter apagado
Num silêncio que surge
Por ti manifestado
Num vácuo que urge
E neste vácuo aberto
Num gesto irracional da mente
Meu coração abre um decreto
Gesto de menino adolescente